terça-feira, 30 de junho de 2009

OPACIDADE INSOLETRÁVEL

Aroldo Camelo de Melo



Inquieta-me essa incapacidade
De se comunicar dos meus poemas.
O que falta na escrita, nessa opacidade
Insoletrável, nesse indefinível fonema?

É esse vislumbre desconhecido
Que nem eu vezes não vejo sentido
Que faz de meus escritos essa
Nebulosa de palavras incongruentes?

É esse inquieto rio de leito seco
Que emerge áspero de minhas feridas,
Que ascende declives e mergulha aclives
Numa indefinição da língua emudecida?

É esse peso silencioso do incontível
Que mora nas ruínas do hipotálamo
E ferve no côncavo do cerebelo
Depois explode incorrigível?

E essa inabitável e obscura idéia
Que jorra em gritos e relâmpagos?
É esse rumor que irrompe circunspecto
Como faíscas noturnas dos pirilampos?

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